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1 - DEFINIÇÃO SOBRE ARTE
Arte é uma atividade que requer aprendizagem, podendo limitar-se à simples habilidade técnica ou ampliar-se ao ponto de englobar a expressão de uma determinada visão do mundo. O termo deriva do latim ars, que significa habilidade na realização de ações especializadas, como a arte da jardinagem ou de jogar xadrez. Entretanto, em sentido amplo, o conceito faz referência tanto à habilidade técnica como ao talento criativo, proporcionando experiências estéticas, emocionais e intelectuais.Tradicionalmente, na maioria das sociedades, a arte combina função prática e estética. Mas, no século XVIII, o mundo ocidental se empenhou em distinguir a arte puramente estética da arte utilitária. As belas-artes (em francês, Beaux Arts - literatura, música, dança, pintura, escultura e arquitetura) preocupam-se, principalmente, com o conceito de beleza. As artes decorativas, também chamadas de aplicadas (cerâmica, artesanato, mobiliário, tapeçaria, esmalte, etc.), que visam à elegância e à beleza de qualquer objeto artesanal ou industrial, foram consideradas utilitárias e, durante certo tempo, rebaixadas ao grau de ofício. Ignora-se como a arte começou, tanto quanto se desconhece como teve início a sua linguagem. Outrora, homens apanhavam um punhado de terra colorida e com ela modelavam toscamente as formas de um bisão na parede de uma caverna; hoje, alguns compram suas tintas e desenham cartazes para os tapumes. Arte significa a capacidade que tem o homem de por em prática uma idéia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria, pode-se afirmar que nenhum povo existe no mundo sem arte. A Arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse " mais-além" que polariza as esperanças da alma. O Artista verdadeiro é sempre o tradutor das belezas eternas e o seu trabalho, em todo os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o Infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor.
2 - UM POUCO DE HISTÓRIA DA ARTE A pintura, a Escultura. A Arquitetura, a Poesia foram, uma por uma, influenciadas pelas idéias pagãs e cristãs.
A estética religiosa criou obras-primas em todos os domínios; teve parte ativa na revelação de arte e de beleza que prossegue pelos séculos além. A Arte grega criava maravilhas; a Arte cristã atingiu o sublime nas catedrais góticas, que se erguem, bíblias de pedra, sob o céu, com as suas altaneiras torres esculpidas, as suas naves imponentes, cheias de vibrações dos órgãos e dos cantos sagrados, asa suas altas ogivas, de onde a luz desce em ondas e se derrama pelos afrescos e pelas estátuas.A Arte cristã teve que se inspirar nas terríveis provações dos mártires e revestir a severidade de sua origem materna. Ela se inspirava na fonte fecunda da teogonia pagã e na alegoria da mitologia para dar asas à imaginação: o mundo de Júpiter, o Tártaro, os Manes, os Letes, as Pitonisas, os oráculos... temas abundantemente explorados, mas para elevar-se até o sublime do sentimento faltava-lhe o sentimento por excelência: a caridade cristã. Os homens só conheciam a
vida material; a Arte procurou, antes de mais nada, a perfeição da forma. A beleza corporal era, então, a primeira de todas qualidades; a Arte apegou-se a reproduzi-la, a idealiza-la; mas só ao Cristianismo estava destinado a beleza da alma sobre a beleza da forma. Assim, a Arte cristã, tomando a forma na Arte pagã, adicionou-lhe a expressão de um sentimento novo, desconhecido dos antigos. Mas a Arte cristã teve que se ressentir da austeridade de sua origem e inspirar-se no sofrimento dos primeiros adeptos, como dissemos. As perseguições impeliram o homem ao isolamento e à reclusão, e a idéia do inferno à vida ascética. Eis por que a Pintura e a Escultura são inspiradas, em três quartos dos casos, pelo quadro das torturas físicas e morais; a Arquitetura se reveste de um caráter grandioso e sublime, mas sombrio; a miséria é grave e monótona como uma sentença de morte; a eloquência é mais dogmática do que tocante; a própria beatitude tem um cunho de tédio, de desocupação e de satisfação toda pessoal; aliás, está tão longe de nós, colocada tão alta, que nos parece inacessível, e por isso nos parece tocar tão pouco, quando a vemos reproduzida na tela ou no mármore.
3 - OS MOVIMENTOS DA ARTE O Expressionismo Se pegarmos Soares Amora, lá no expressionismo, veremos: "movimento artístico que se caracteriza pela livre expressão dos sentimentos, sensações ou impressões do artista"; uma outra enciclopédia (Grande Enciclopédia Larousse Cultural ) diz: "(do fr. Expressionnisme.) 1. Tendência artística caracterizada por uma visão emocional e subjetiva do mundo, que se firmou principalmente no primeiro quartel do séc. XX....4. Expressionismo abstrato, corrente artística essencialmente norte-americana, que se impôs nos anos 40 e 50 do séc. XX." O Expressionismo foi tudo isso e muito mais. Tornou-se uma vertente importante na produção artística, contribuindo fundamentalmente para a mudança da estória da Arte como um todo, pois vê-se sua influência no Cinema, na Literatura , na Música, etc. ...por isso falaremos um pouco sobre ele. Inseparável de uma visão de mundo angustiada e revoltada, essa tendência artística caracterizou-se por uma linguagem emocional veemente e espontânea. A vida, como a obra, dos artistas expressionistas foi freqüentemente atormentada ou trágica, á imagem dos seus precursores do final do séc. XIX (Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Ensor, Munch). Desenvolveu-se na Alemanha com os pintores do grupo Die Brucke ( Dresden, e depois Berlim, 1905-1913); ciosos de autenticidade, redescobriram a arte primitiva e a tradição medieval (Kirchner), com um estilo freqüentemente pesado e violento, e cultivaram o irrealismo da cor e as deformações (Otto-Muller, Nolde, Erich Heckel). A I Guerra Mundial dispersou os artistas alemães e suscitou a expressão patética Kokoschka, ao lado do pessimismo irado de Beckmann; a derrota da Alemanha conduziu ao irrealismo acirrado e à crítica social assumidos pela nova objetividade (Dix, Grosz) Outro aspecto do Expressionismo, a corrente flamenga, foi representado pelos pintores da escola de Lathem-Saint-Martin: Permeke, De Smet, com temas populares e melancólicos, Van den Berghe, cuja arte colorida se tingiu de surrealismo. Na América Latina destacou-se o muralismo mexicano (Rivera, Orozco, Siqueiros). Em 1913, Lasar Segall veio para o Brasil, onde se radicou definitivamente em 1923. Realizou uma exposição conhecida como a primeira exposição de arte moderna do Brasil: vários quadros eram de tendência expressionista, nos quais o sofrimento humano era um denominador comum (Anita Malfatti, Cândido Portinari, Di Cavalcanti). Na gravura destacou-se Osvaldo Goeldi. Na França, depois da explosão fauvista, o Expressionismo foi representado por Rouault, Gromaire, Pascin, Chagall e Soutine. No final da II. Guerra, a abstração incluía diversas correntes que combinavam a violência expressionista e a espontaneidade gestual do surrealismo: assim os "expressionistas abstratos" norte-americanos (Pollock, De Kooning e Kline). Na Europa, os pintores do grupo Cobra exemplificaram maior liberdade expressiva, ao passo que a figura humana, deformada e sofredora, dominou a obra do inglês Francis Bacon. Contaremos agora um pouco da vida e obra do grande precursor dessa tendência do início do séc. XX: VAN GOGH.
VINCENT VAN GOGH
Vincent Van Gogh, pintor holandês, nascido em 1853, teve uma vida trágica e breve. Após um aprendizado que o revelou próximo da tradição realista holandesa (Os comedores de batata, 1885, três versões), mas também preocupado com o problema da cor, Van Gogh foi a Paris (1889), onde descobriu os impressionistas e os neo-impressionistas, além de conhecer Lautrec e Gauguin. Com esse contato, adotou cores puras e simplificou as formas numa busca de unidade reforçada pela importante descoberta da gravura japonesa. Na Provença (1888), deixou-se levar pela fascinação de amarelos solares, pelo brilho azul do céu e da noite. Fez numerosos desenhos de excepcional maestria e pintou (série dos Girassóis; O café noturno, universo de Yale, New Haven) com tal energia e tensão, que se sentiu desamparado quando uma tentativa de viver e trabalhar com Gauguin terminou em grave altercação: mutilou-se cortando a orelha esquerda e foi internado no asilo de Saint-Rémy-de-Provence (1889). Seu estilo adquiriu nessa época extrema veemência, capaz de
reunir num só movimento campos, céus, oliveiras e ciprestes, enquanto tons ocres e cinzentos temperavam sua paleta (Campo de trigo com ciprestes, diversas versões). Em Auvers-sur-Oise (1890), sob o mecenato do médico Gachet, o pintor reencontrou uma certa segurança e retornou os temas rurais, as paisagens de aldeia (A igreja de Auvers, Museu d'Orsay) e os retratos. Mas o desespero e a solidão, expressos em sua última tela (Campo de trigo com corvos, Museu Nacional Vincent Van Gogh, Amsterdã) o estavam minando: com um tiro no peito, suicidou-se dois dias depois. No início do séc. XX, fauvistas e expressionistas retomariam sua linguagem.
4 - A ARTE NA ATUALIDADE Por ventura já contou alguma época maior número de poetas, pintores, escultores, literatos, artistas de todos os gêneros? Houve jamais uma época em que a Poesia, a Pintura, a Escultura, fosse que arte fosse, tenha sido acolhida com mais desdém? Tudo está no marasmo! E nada, a não ser o que se liga diretamente à fúria positivista do século, que tem chance de ser apreciado favoravelmente. Sem dúvida, ainda há alguns amigos do belo, do grande, do verdadeiro; mas ao lado, quantos profanadores, quer entre os executantes, quer entre os amadores! Não há mais pintores: só há fazedores! Não é a glória que se persegue! Ela vem a passos muito lentos para a nossa geração apressada . Ver o renome e a auréola do talento a coroar uma existência em seu declínio, que é isso? Uma quimera, boa ao menos para os artistas do passado! Então tinha-se tempo de se viver; hoje, apenas o de gozar! Agora é preciso chegar, e prontamente, à fortuna. É preciso fazer um nome por uma feitura original, pela intriga, por todos os meios mais ou menos confessáveis com que a civilização cumula os povos que tocam um progresso imenso para a frente ou uma decadência sem remissão. É a luta corajosa com a provação que faz o talento; a luta com a fortuna o enerva e mata! Tudo cai, periclita, porque não há mais crença. Pensais que o pintor creia em si mesmo? Sim, por vezes a isso; mas em geral não crê senão cegamente, senão no ardor do público, e o aproveita até que um novo capricho venha transportar alhures a torrente de favores que nele penetra! Como fazer quadros religiosos ou mitológicos que sensibilizem e comovam, quando desaparecem as idéias que eles representam? Tem-se talento, esculpe-se o mármore, dá-se-lhe forma humana. Mas é sempre uma pedra fria e insensível: não há vida! Belas formas, mas não a centelha que cria a imortalidade. Os mestres da Antiguidade fizeram deuses, porque acreditavam nesses deuses. Os escultores atuais, que neles não crêem, fazem apenas homens. Mas venha a fé, mesmo que ilógica e sem um objetivo sério; ela gerará obras-primas; e se a razão os guiar, não haverá limites que ela não possa atingir! Campos imensos, completamente inexplorados, abrem-se à juventude atual, ante a qual um poderoso sentimento de convicção impele na direção em que ela está.
5 - CURIOSIDADES A arte brasileira tem sua origem no
periudo anterior ao descobrimento, com a
A arte brasileira começa de fato
com o barroco, que se desenvolve
O REALISMO E O IDEALISMO EM PINTURA (Um texto de Nicolas Poussin) Nicolas Poussin era francês, nasceu em 1594 e morreu em Roma , onde viveu a maior parte de sua vida, em 1665. São suas as grandes obras, tais como A Tomada de Jerusalém, La Manne, A Verdade, que se acham no Louvre; o Rapto das Sabinas; São João batizando o povo, e muito mais...como se vê, era uma grande autoridade. A curiosidade está no fato de que um texto, com data de 1862 - publicado na chamada "Revista Espírita", 1862 - pág. 86; revista francesa, editada naquele século e de grande circulação - lhe foi atribuída a autoria. Diga-se: quase dois séculos após a morte do referido artista. O mencionado texto, de grande sensibilidade, traz informações preciosas aos artistas modernos e contemporâneos e, acreditem ou não na autenticidade da assinatura, vale a pena conferir. Transcrevemos na íntegra o texto para aproveitamento de nossos visitantes. "A Pintura é uma Arte que tem por objetivo retratar as cenas terrestres mais belas e mais elevadas e, por vezes, simplesmente imitar a natureza pela magia da verdade. É uma arte que, por assim dizer, não tem limites, sobretudo em vossa época. A Arte de vossos dias não deve ser apenas a personalidade: deve ser - se assim me posso exprimir - a compreensão de tudo o que foi na História, e as exigências da cor local, longe de entravar a personalidade e a originalidade do artista, ampliando as vistas, formam e depuram o gosto e o fazem criar obras interessantes para a Arte e para os que nela querem ver uma civilização caída e idéias esquecidas. A chamada Pintura histórica de vossas escolas não está em correspondência com as exigências do século; e - ouso dizê-lo - há mais futuro para um artista em suas pesquisas individuais sobre a Arte e sobre a História, que nessa via onde dizem que comecei a pôr o pé. Só uma coisa poderá salvar a Arte de nossa época: é um novo impulso e é uma nova escola que, aliando os dois princípios que dizem tão contrários - o realismo e o idealismo - leve os moços a compreender que se os mestres assim são chamados, é porque viviam com a Natureza e sua imaginação poderosa inventava onde era preciso inventar, mas obedecia onde era necessário obedecer. Para muitas criaturas desconhecedoras da Ciência da Arte, muitas vezes as disposições substituem o saber e a observação. Assim, em vossa época vêem-se por todos os lados homens de uma imaginação muito interessante, é certo, mesmo artistas, mas não pintores. Estes não serão contados na História senão como desenhistas muito engenhosos. A rapidez no trabalho, a pronta realização do pensamento adquirem-se pouco a pouco pelo estudo e pela prática e, conquanto se possua essa imensa faculdade de pintar depressa, é necessário lutar ainda, lutar sempre. Em nosso século materialista, a Arte - não o digo sob todos os pontos, felizmente - se materializa ao lado dos esforços realmente surpreendentes dos homens célebres da Pintura moderna. Por que essa tendência? Digo mais uma vez: para bem compreender a Pintura
seria necessário ir, sucessivamente, da prática à idéia, da idéia à prática.
Quase toda minha vida se passou em Roma. Quando eu contemplava as obras dos
mestres, esforçava-me por captar em meu espírito a ligação íntima, as
relações e a harmonia do mais elevado idealismo e do mais real realismo.
Raramente vi uma obra-prima que não realizasse esses dois princípios, Nelas
via o ideal e o sentimento de expressão, ao lado de uma verdade tão brutal
que dizia de mim para mim: é bem a obra do espírito humano; é bem a obra
pensada e depois realizada; lá estão alma e corpo: é a vida inteira. Via que
os mestres moles nas idéias e na compreensão o eram em suas formas, em suas
cores, em seus efeitos. A expressão de suas cabeças de suas cabeças era
incerta e a de seus movimentos, banal e sem grandeza. É necessária uma longa
iniciação na Natureza para bem compreender os seus segredos, os seus
caprichos e as suas sublimidades. Não é pintor quem o quer: além do trabalho
de observação , que é imenso, é preciso lutar no cérebro e na prática
contínua da Arte; num momento dado, é necessário trazer para a obra que se
quer produzir os instintos e o sentimento das coisas adquiridas das coisas
pensadas, numa palavra, sempre esses dois grandes princípios: corpo e alma."
(NICOLAS POUSSIN, " Revista Espírita", 1862 - pág. 86.)
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